Cleonice Wanderley André
Lillian Maria de Mesquita Alexandre
RESUMO
O presente trabalho pretende contribuir para uma meditação acerca das visitas técnicas promovidas através dos deslocamentos turísticos do tipo ‘excursões’ que devem fazer parte do cotidiano acadêmico, tendo em vista sua comprovada importância na construção de conhecimentos oriundos de experiências vivenciadas em uma aula extraclasse, denominada de aula passeio defendida por Freinet. Buscou-se refletir sobre as contribuições que a excursão oferece, quando bem planejada e orientada, como ferramenta integradora do processo ensino-aprendizagem e mostrar a importância da excursão para a formação integral do aluno, tornando a aprendizagem mais significativa, caracterizando a articulação entre a excursão e a prática pedagógica utilizada em sala de aula. A fim de fundamentar a reflexão levantada, utilizou-se pesquisa bibliográfica sobre o segmento Turismo Pedagógico, especificando a forma excursão para o estudo prático da realidade, observando-se in loco o que teoricamente foi abordado na sala de aula convencional. Verificou-se que, a realização de excursões, é uma alternativa importante para que os alunos observem e interpretem a realidade e não permaneçam com o aprendizado abstrato e memorizado sem a devida socialização desses conteúdos. Sugere-se, para um melhor desempenho em sala de aula, um amplo planejamento e o envolvimento de todos os atores, permitindo assim uma troca de saberes e interesses a fim de atingir os objetivos sociais e educacionais que são traduzidos através da excursão.
Palavras-chave: Turismo. Excursão Pedagógica. Ensino-Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
O turismo como atividade econômica e geradora de emprego e renda é, também, complexa possuindo inúmeras segmentações para que seja entendida e estudada por diversas disciplinas agregando conhecimentos e articulando saberes entre elas.
A teoria econômica, historicamente falando, ensina que o turismo é uma das atividades mais rentáveis do planeta, tendo em vista que esse setor não conhece fronteiras, não apenas pelo fato de se basear nas viagens, mas pelas ramificações que tocam aspectos múltiplos do cotidiano das pessoas. É o setor turístico um grande negócio em crescimento e, indiscutivelmente, globalizado. (OMT, 2003, p. 146).
A globalização impõe avaliar quais são os riscos de se confiar no turismo como motivo propulsor do desenvolvimento e tendo como orientação a possibilidade de impulsionar a atividade econômica combinada com a sustentabilidade social e ambiental. Tem a atividade turística a ampla capacidade de disseminar os impactos positivos da globalização na obtenção e favorecimento dos inúmeros tipos de economias em um país.
Percebe-se o vínculo entre o turismo e o desenvolvimento analisando as condições em que o mesmo pode contribuir efetivamente na luta contra a pobreza, a injustiça social e a deterioração ambiental, além da promoção do respeito, a hospitalidade e o diálogo entre os indivíduos, transformando-se em ferramenta para a resolução dos conflitos entre as culturas, através da valorização dos recursos locais.
O presente trabalho traz como proposta a reflexão sobre as contribuições que a excursão oferece como ferramenta integradora do processo ensino-aprendizagem, mostrando a importância da mesma para a construção dessa aprendizagem e a relação dos conteúdos curriculares com a realidade do estudo, através de ações cooperativas entre os respectivos atores, isto e, professor-aluno, aluno-aluno e aluno-comunidade.
A metodologia utilizada no trabalho tem como base a pesquisa, conforme Ander-Egg, (1978 p. 28 apud LAKATOS, 2001 P. 43), que é “um procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”.
Portanto, a pesquisa sobre determinado objeto deve ser constante e analisada com rigor e precisão, a fim de se atingir os objetivos propostos no trabalho e se obter um resultado coerente e confiável sobre o objeto de estudo. Entende-se como procedimento racional e sistemático que proporciona respostas precisas aos questionamentos propostos.
A pesquisa bibliográfica conforme Trujillo, (1994, p. 230 apud LAKATOS, 2001 p. 44), ou pesquisa de fontes secundárias é:
[...] levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita [...] coloca o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao cientista “o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações.
Quando o pesquisador não dispõe de informação suficiente para responder ao problema ou que não se encontre relacionada adequadamente ao problema, precisa verificar a literatura que já foi publicada sobre o tema, a fim de obter conhecimento do assunto pesquisado.
A abordagem qualitativa, conforme Roesch, (1999, p. 155) “é uma alternativa metodológica de pesquisa” [...], sendo esta apropriada para a avaliação formativa, quando se trata de melhorar a efetividade de um programa ou plano, ou mesmo quando é o caso da apropriação de planos [...] [...] a postura do pesquisador é de captar a perspectiva dos entrevistados, sem partir de um modelo preestabelecido.
Percebe-se, através do conceito acima, que a abordagem qualitativa visa atingir a subjetividade do assunto por intermédio do pensamento e posições das pessoas que são questionadas e se apresentam através de sonhos, ideais e necessidades, uma vez que isso não pode ser demonstrado por números ou valores percentuais como numa abordagem quantitativa.
Refletindo sobre a Educação e o Ensino-Aprendizagem
É a educação um bem pertinente a todo cidadão como direito garantido pela Constituição Federal e o principal instrumento capaz de promover uma intervenção social, garantindo a evolução econômica além de contribuir para a evolução histórico-cultural da humanidade. Necessita-se empreender esforços para um melhor entendimento a fim de que esses conhecimentos sejam transmitidos, desenvolvidos e construídos a partir de metodologias bem elaboradas e integrando a parte teórica com a prática vivenciada no ambiente, de maneira dinâmica e participativa, gerando novos conhecimentos e novos questionamentos.
Assim, cada indivíduo experiência e historicia de maneira diferenciada o seu viver envolvido com o turismo de modo geral e especificamente com o turismo pedagógico. Pode-se dizer que os alunos em excursão pedagógica fazem parte dos sujeitos turistas em construção ou em formação contínua do seu conhecimento e que podem aproveitar das ferramentas do produto turístico, como instrumento de aprendizagem.
Pode-se, também, dizer que o fenômeno turístico é visto como a busca da experiência humana, a busca da construção do ser fora do seu local de vivência cotidiana, mesmo que já tenha retornado de uma viagem, uma vez que o homem continua a reviver, a recordar a experiência vivida no passado, independente da cronologia.
O sujeito do turismo é, sem dúvida, o ser humano, responsável pela atual configuração do fenômeno turístico com ele interagindo através da infraestrutura turística e as empresas do setor bem como com o meio ambiente.
Ainda, conforme Freire (1967, p. 51), a “educação nada mais é do que uma Teoria do Conhecimento posta em prática”, destacando a visão de conhecimento que o educador tem e sua repercussão na prática pedagógica utilizada em face de natureza social, histórica e política da educação.
O conhecimento surge da ação na qual os indivíduos aprendem e constroem, agindo no mundo através do diálogo. Apropriando-se das atividades extraclasse que são desenvolvidas a partir de uma excursão, o ensino-aprendizagem se concretiza ultrapassando os limites das salas de aulas provocando a assimilação de conhecimentos capazes de preparar os educandos para a vida em sociedade, exercitando a cidadania plena, conscientes dos seus direitos e deveres.
Espera-se que a integração entre o turismo e a educação tenha êxito a fim de que se fortaleça e cresça, enriquecendo os currículos acadêmicos. Tornando-se o segmento do turismo pedagógico fator determinante no significado do estudo do meio, com papel fundamental no processo ensino-aprendizagem, a fim de facilitar a assimilação e compreensão dos conhecimentos sujeitos as transformações continuas de construção e reconstrução do saber na história evolutiva da humanidade.
O turismo pedagógico, também conhecido como turismo educacional, turismo de estudo, turismo escolar, estudo do meio ou visita técnica, tem como objetivo básico as viagens a fim de transformar o conhecimento teórico adquirido em sala de aula em vivências práticas. Quando o educando depara-se com a realidade do que foi estudado e consegue socializar o seu conhecimento através do processo de ensino-aprendizagem numa relação dialógica em outras culturas entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-comunidade anfitriã.
Aponta Ansarah (1999, p. 24), “os propósitos que levam ao consumo do turismo são diferenciados como: evasão, descanso, conhecimento de lugares e pessoas de diferentes culturas, busca de status, saúde, religião, contemplação dentre outros”.
Com base nessa diversidade de conceitos é que a atividade turística tem crescido e provocado novas modalidades que fazem surgir nichos de mercado nas variadas áreas, incluindo aí, a relação estreita com a educação.
Tendo em vista que o processo ensino-aprendizagem deve envolver obrigatoriamente o educador e o educando já que faz parte integrante do processo de construção, reconstrução e assimilação do conhecimento, cuja contextualização dos conteúdos programáticos que se aprendem em uma sala de aula convencional transformam-se em experiências que serão realizadas através da excursão de lazer como mais uma alternativa extracurricular de complementação do processo ensino-aprendizagem, proporcionado a partir do turismo pedagógico que traz a dimensão educativa para essa aula passeio.
Percebe-se que a vivência dos alunos, durante uma excursão pedagógica, influencia na construção da sua aprendizagem tendo em vista que o turismo é uma atividade de experiências vividas de maneiras e desejos diferentes por parte dos sujeitos envolvidos. Cada educando, tem a oportunidade de construir e acrescentar, de forma estruturada, novos valores a partir dos conhecimentos que fazem parte do seu próprio acervo cultural, isto é, o histórico pessoal de cada um interage com os conhecimentos que adquire e essa relação constrói o seu futuro saber.
Portanto, facilitando assim a compreensão e fortalecendo o processo de assimilação do conhecimento tendo em vista que o educando encontra-se inserido no contexto de uma sociedade além de conduzida por leis naturais interagindo com o universo imenso de relações sociais dinâmicas. Cabe à academia cumprir sua função preparando o educando e formando-o para o convívio em sociedade e a prática do exercício da cidadania plena.
As vantagens da excursão ou visitas técnicas organizadas apresentam-se como psicológicas e econômicas uma vez que não se pode viajar sozinho também não se pode aprender sozinho tendo em vista que a própria natureza da aprendizagem exige um grupo com base em uma proposta mais ampla de educar, como esclarece Paulo Freire (2005, p. 97) “a educação autêntica e coletiva, só se aprende com o outro em uma relação que implica transformação”.
Percebe-se que o turismo contribui para que os objetivos pedagógicos sejam concretizados quando aliados a uma prática extraclasse planejada e orientada de modo a constituir-se, consequentemente, como o que se denomina de Turismo Pedagógico.
O turismo pedagógico possibilita ao educando, o desenvolvimento individual e coletivo de sentimentos de amparo, conservação, manutenção além de valorização dos bens relacionados ao patrimônio cultural e ambiental levando-o a transpor o ambiente da sala de aula e se dirigindo a observação direta, na prática de todos dos conteúdos.
Segundo Prado (2006, p. 67), “o turismo pedagógico consiste em tudo aquilo que esta fora do que é definido no ambiente escolar, é utilizado para aprimorar o aprendizado de sala de aula, não ficando preso às exigências formais, ultrapassando os limites escolares”.
O turismo pedagógico surge como um segmento relativamente novo dentre os segmentos já consolidados do turismo, portanto tem sido o segmento que desperta pesquisa por parte dos estudiosos do turismo. E para explicitar apresenta-se o conceito eleborado por Andriolo e Faustino (apud Spínola da Hora, 2003, p. 224): “O turismo pedagógico é uma modalidade de turismo que serve às escolas em suas atividades educativas”.
Percebe-se que o objetivo da atividade turística, nesse caso, não é apenas o lazer e sim como o próprio segmento indica a atividade turística apresenta-se atrelada à pedagogia que propõe o estudo de processos e técnicas a fim de tornar a educação muito mais eficiente e facilitada através da experiência vivida sobre o tema que já foi abordado teoricamente.
Assim, o turismo pedagógico apropria-se da excursão/viagem como atividade que vem propiciar a junção entre o ensino-aprendizagem e o turismo propriamente dito. Para Freinet (apud Spínola da Hora, 2003 p. 224), a base de ligação entre ensino e turismo reside no cruzamento dos conceitos gerais básicos de turismo e pedagogia e na comparação dos planos e fases da aula passeio com as viagens.
Para aproximar seus alunos da vida, Freinet retira-os da sala de aula, realizando o que ele chama de aula passeio, conhecida, hoje, também como aula das descobertas. Os alunos passam a assumir a condição temporária de turistas, deslocando-se de seu lugar de origem em busca de algo novo. Há, então, numa aula, o elemento dinâmico (a viagem) e o sujeito do turismo (o turista), aluno. (SPÍNOLA DA HORA, 2003, p.224)
O tratamento dado à atividade pedagógica mostra que os alunos continuam sendo alunos e ao mesmo tempo excursionistas e como tal adquirem os sonhos e as expectativas provocadas pelo turismo. E para que isso ocorra o educador deve proporcionar ao educando informações e efetuar o planejamento sobre a viagem ao local a ser visitado e sua relação com os conteúdos trabalhados em sala de aula.
A Importância do Turismo como atividade Educativa
Analisando as diversas definições para o termo turismo pode-se incluir como, segundo Goeldner (2002, p. 23):
Turismo as pessoas que estão participando de convenções, reuniões de negócios ou algum outro tipo de atividade empresarial ou profissional, bem como aquelas que estão em viagens de estudo com um guia especializado ou fazendo algum tipo de pesquisa ou estudo científico
De acordo com Palhares (2006, p. 22), “o universo de viajantes é determinado por qualquer indivíduo que se desloca do seu local de origem para um destino, cujo deslocamento deve ser temporário”. Conforme a (OMT, 2003, 19), esse universo encontra-se divido na categoria de turista, quando o mesmo pernoita na localidade e excursionista quando o individuo retorna sem pernoitar no local visitado, por isso esses viajantes não estão incluídos nas estatísticas de turismo.
Tendo em vista que o turismo é uma atividade ampla e multifacetada, além de bastante complexa que abrange um conglomerado de aspectos da sociedade atual, necessita da utilização da interdisciplinaridade a fim de explicitar as diferenciadas abordagens da área, como abordagens antropológicas, psicológicas, política, jurídica e outras, dependendo do segmento característico do turismo praticado ou estudado.
Segundo Beni (1998, p. 21), “a mobilidade proporcionada pelo turismo põe em contato muitas pessoas, amplia e enriquece a maneira de pensar e de agir, expandindo assim, o acervo cultural”. Acredita-se que o pensamento de Beni abrange, também, o turismo pedagógico uma vez que o mesmo possibilita a ampliação cultural do educando. Efetivado a partir da excursão de estudo e tem como objetivo principal, levar o conhecimento teórico para a realidade do aluno, mesclado com momentos de descontração, com possibilidades de socialização entre alunos, professores e a comunidade receptora.
Quando entramos em contato com o diferente é que nos damos conta de quem somos e como vivemos, assim, tanto aprendemos sobre o outro como aprendemos sobre nós mesmos, pois os elementos da cultura do grupo são expostos e aí acontece a troca ou o intercâmbio de culturas que é fundamental para o progresso intelectual da humanidade.
Em todo o mundo, o turismo é visto como fator de desenvolvimento econômico e social com importância relevante como ferramenta de aceleração da economia das localidades e proporcionando incremento na área social e cultural da sociedade em geral. Incentiva o investimento do capital estrangeiro através da arrecadação de impostos e como gerador de novos postos de trabalho. Mostra-se como elemento que viabiliza o desenvolvimento de inúmeras localidades.
Apresenta a importância da aprendizagem dos diversos conteúdos explorados em sala de aula e a sua relação com a prática pedagógica vivenciada, tendo em vista que a aprendizagem se estabelece com maior rapidez e eficácia quando permeada de momentos agradáveis.
É relevante lembrar que desde o século XVI acontecem as viagens de cunho educativo quando se difundiu na Europa o Grand Tour, destinado a jovens estudantes ingleses. Contudo, é o turismo pedagógico, um segmento relativamente inovador e recente no Brasil, se comparado a outros tipos de turismo.
Sua preocupação básica é a melhor forma de conduzir a atividade educativa a fim de alcançar os objetivos propostos através da experiência turística, tornando o conhecimento pertinente, contextualizado e vivenciado. (GOELDNER, 2002).
Permite ao aluno vivenciar o conhecimento teórico abordado, transformando a localidade escolhida numa grande sala de aula, uma vez que qualquer oportunidade de aprendizado pode ser aproveitada dentro de um planejamento, através de roteiros diversificados, proporcionando aos professores e alunos conhecerem lugares e praticarem os conteúdos abordados, tornando o aprendizado mais proveitoso.
A experiência vivida pelo turista/educando, em uma excursão pedagógica, é experiência única e sobrevivente da viagem, que vai fazer parte da construção do seu conhecimento individualizado e coletivamente através do processo ensino-aprendizagem desenvolvido por ocasião da verificação e contextualização dos roteiros propostos para os variados temas.
É a excursão pedagógica uma ferramenta motivadora que torna a educação muito mais interessante, na qual os diversos saberes são articulados com a realidade, como necessários para reconhecer e conhecer os problemas do mundo em um ambiente prazeroso e divertido, sinalizando uma atividade harmoniosa onde os conceitos, procedimentos e atitudes são trabalhados na prática.
Através da orientação do educador, o aluno-turista deve desenvolver um sentimento de valorização e conservação do patrimônio social, cultural e ambiental de determinada comunidade. Os alunos entram em contato com a comunidade local, sentem as dificuldades do cotidiano em cada localidade visitada e adquirem novos conhecimentos e informações sobre o espaço, interagindo com os atrativos, recursos turísticos disponíveis e a comunidade local.
Na educação contemporânea, aprender a fazer pressupõe desenvolver a competência do saber trabalhar em grupo, ser capaz de resolver problemas e adquirir uma qualificação profissional, privilegiando assim a aplicação da teoria na prática, e visando a articulação entre os saberes escolares e os contextos sociais que o aluno encontra fora da escola. (ANSARAH, 2002).
Portanto, pode-se afirmar que a educação e o turismo relacionam-se num diálogo permanente e tem como base a interdisciplinaridade como processo de participação dos educadores integrando as disciplinas curriculares para a construção do conhecimento global, a fim de despertar nos alunos a construção de competências articulando o conhecimento adquirido na escola com a prática social da coletividade.
Percebe-se ainda, que o professor procura atingir os objetivos didáticos através de atividades mais descontraídas em um ambiente que facilite o processo ensino-aprendizagem, na medida em que o aluno torna-se capaz de experienciar o conhecimento abordado em sala de aula, através de roteiros agradáveis, elaborados especialmente ao nível de cada uma das turmas e com o acompanhamento de guias e professores especializados, buscando enriquecendo os conteúdos que foram ministrados em sala de aula.
Nota-se que, além de propiciar tais atividades aos estudantes, a excursão contribui para o desenvolvimento do relacionamento interpessoal e intergrupal, visto que os estudantes podem interagir uns com os outros, que não estão, necessariamente, na mesma escola ou do seu grupo de convívio social cotidiano, retornando diferentes, tendo em vista a própria experiência da viagem.
Observa-se que muitas escolas, no Brasil, estão cada vez mais sensíveis às necessidades de mudanças nos processos didáticos, empenhando-se em conferir as suas práticas pedagógicas a indispensável contextualização, buscando a identificação dos conteúdos ministrados com a realidade imediata vivenciada pelos alunos, integrando-os ao contexto social como agentes de transformação, como cidadãos solidários, críticos, equilibrados e éticos.
Portanto, a prática da aula fora da sala comum, deve constar dos planejamentos pedagógicos, como um instrumento possível, real e prático do processo ensino aprendizagem motivador, pois deve ultrapassar os desafios impostos pelo cotidiano escolar, mobilizando competências e articulando recursos disponíveis de maneira que cada aluno seja capaz de vivenciar situações diversas no seu processo de aprendizagem.
Entender a necessidade do aluno em relacionar a teoria com a prática mostra que a excursão, como ferramenta integradora deste ensino e aprendizagem mencionados, apresenta-se como importante e enriquecedora dos conteúdos ministrados e sua vivência na realidade do local escolhido, como oportunidade de experiências práticas.
Nesse contexto, verifica-se o quanto são ampliados os conhecimentos dos alunos e a interação do processo ensino-aprendizagem, concretiza-se diante de tal situação em uma atividade prática extracurricular e interdisciplinar, complementando tais conteúdos teóricos.
É a excursão esse recurso metodológico que deve ser utilizado a fim de construir o conhecimento, proporcionando tanto ao aluno como ao professor maior aprofundamento relacionado a temática em foco e as inter-relações possíveis e existentes.
A Excursão Pedagógica como ferramenta do Ensino-Aprendizagem
Tendo em vista que o turismo apresenta-se como um fenômeno social, suas segmentações são desenvolvidas como reflexo do contexto vivido determinando assim seu caráter muito dinâmico como uma das características mais importantes da atividade.
Em relação ao ensino e a educação surge uma modalidade de turismo que abriga como principal característica, não apenas, satisfazer a curiosidade por novos lugares e culturas, mas a prática do ensino. As aulas de campo ou visitas técnicas devem ser positivas na aprendizagem dos conteúdos à medida que se tornam um estímulo para educadores e educandos, surgindo aí a possibilidade de inovação para trabalhos científicos.
Acredita-se que os educandos sentir-se-ão mais seguros quando o educador demonstra conhecer bem o ambiente visitado que deve atender aos objetivos da aula proposta. Nas aulas teóricas utilizam-se as representações prontas nas quais se excluem do educando a possibilidade de vivenciar a realidade estruturada, na qual deverá surgir as impressões motivadoras de condutas e aprendizados além da elaboração de hipóteses sobre o tema em estudo.
As aulas práticas proporcionam inúmeras oportunidades para a reflexão sobre os valores imprescindíveis às transformações que se efetuam nos educandos a partir dos conhecimentos adquiridos.
Percebe-se que, com a possibilidade da utilização de diversas abordagens aplicáveis aos conteúdos, pode-se potencializar o processo de construção e reconstrução do conhecimento numa apresentação dinâmica favorecendo a percepção com uma riqueza de detalhes sobre os elementos perceptíveis ampliando no educando a capacidade de questionamentos.
Nas aulas teóricas utiliza-se, apenas, conteúdos prontos e acabados, não se oportunizam a compreensão em relação a experiência vivenciada. Nesse contexto, não se deve deixar de lado a percepção, trabalhando somente com modelos ou fórmulas teóricas.
As viagens ou visitas técnicas classificadas como excursões são recursos ou ferramentas que integram o ensino e a aprendizagem e estão amparadas por correntes pedagógicas como a aula passeio ou a aula das descobertas que colocam uma ligação entre a pedagogia e o turismo e fazem parte dos princípios adotados por Freinet, (apud SPÌNOLA DA HORA, 2003, p. 223).
Salienta-se que o turismo pedagógico é primordialmente uma atividade realizada fora do tempo livre conforme afirma Spínola da Hora, (2003, p. 223): “Ao contrário das atividades convencionais de Turismo, o Pedagógico tende a ocorrer no período letivo, e não nas férias. Isso confere à atividade uma característica bastante peculiar, que pode ser chamada de sazonalidade invertida”.
Os alunos devem vivenciar diferentes situações estruturadas a fim de possibilitar uma constante integração do aluno/instituição/comunidade com o objetivo de garantir uma educação não fragmentada com proposta metodológica integrada a experiências e atividades práticas.
Todas as atividades devem visar a disseminação da interdisciplinaridade dos conteúdos trabalhados em sala de aula vislumbrando para alunos o conhecimento de suas potencialidades e desenvolvendo as habilidades e técnicas nas diferentes áreas. Despertando assim, no aluno, o interesse pela educação através do aperfeiçoamento contínuo dos estudos.
Visando a conexão entre a demanda e a oferta do mercado turístico voltado para o segmento estudo ou educação, no qual ocorrerá uma demanda interessada na busca de satisfação através da compra do produto, a oferta que se dispõe a criar o produto turístico voltado para o segmento pedagógico na localidade escolhida e reconhecida pela existência de atrativos turísticos, infraestrutura básica, condições sociais e políticas adequadas e voltadas para o tema que se quer estudar e esclarecer faz parte do planejamento inicial.
A fim de que a aula extraclasse ganhe vida tornando-se real a experiência e aprendizado do aluno, devem, professor e aluno entrar em contato com o local através de folders, vídeos e imagens para construir expectativas motivadas e gerando uma valorização da localidade anfitriã como atrativo, estimulando a visão crítica além das funções de desenvolvimento do lazer e da diversão naturalmente provocadas pela excursão.
CONSIDERAÇÕES
Observa-se que, nem sempre, no processo de ensino-aprendizagem a excursão encontra-se presente, tendo em vistas os altos custos com a viagem e a disponibilidade dos professores. Isso faz com que as disciplinas sejam orientadas como simples reprodução de conhecimentos transmitidos pelo professor em aulas exclusivamente expositivas e teóricas.
Nota-se que a excursão apresenta-se como uma forma de organização do ensino com potencial pedagógico, permitindo a ligação entre conteúdos teóricos e sua vivência na prática. Contribui para a assimilação dos conhecimentos através da observação direta, proporcionando momentos de aproximação entre a realidade do dia-a-dia, o social do aluno e o ensino-aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento de novas aprendizagens e consolidando aprendizagens adquiridas anteriormente.
Essa forma de organização do ensino trata de realizar e enfatizar o cotidiano dos educandos, direcionando-os e orientando-os para conseguir êxito como cidadãos atingindo seus objetivos através de uma aprendizagem eficaz e dinâmica, utilizando como ferramenta a atividade turística.
Os dados obtidos numa excursão vão avalizar e motivar a preparação dos alunos para uma aprendizagem melhor e mais significativa comparando a realidade vivenciada com os conteúdos já abordados, uma vez que, desde o planejamento que se antecipa a excursão propriamente dita os alunos entram em contato com o local a ser visitado e quando retornam fazem a avaliação do que foi realmente apreendido e alcançado.
Nesse contexto, rompem-se as atividades rotineiras e os alunos fazem um elo entre conhecimento teórico e a prática vivenciada a fim de consolidar os conhecimentos adquiridos nas aulas extraclasse aplicando-os no seu dia a dia.
A complexidade de uma excursão pedagógica envolve o planejamento anterior, durante a excursão e sua avaliação no retorno é imprescindível. A programação deve estar relacionada aos conteúdos das diversas disciplinas de forma a contemplar a sistemática e desenvolver as relações e interações sociais com o meio estudado.
Atualmente, o educador, apresenta-se como um mediador ou organizador do processo ensino-aprendizagem e, deve ficar atento as transformações ocorridas com os alunos bem como reconhecer e perceber que ensinar é, ao mesmo tempo aprender continuamente. Nesse sentido deve organizar as excursões juntamente com os alunos e na volta a sala de aula deve dialogar e articular as contribuições trazidas pelos mesmos atrelando aos conteúdos programáticos.
Portanto, o segmento Turismo Pedagógico depende da consolidação de estudos e de metodologia adequada a cada nível educacional, por ser bastante recente sua utilização e exploração. O presente trabalho espera que o turismo continue servindo como ferramenta à educação, proporcionando experiências produtivas na construção do conhecimento e desenvolvimento íntegro e dialógico entre as diversas áreas do saber, o meio ambiente natural ou construído e a cultura dinâmica de cada localidade visitada.
No mundo contemporâneo o conhecimento torna-se imprescindível para o desenvolvimento integrando a realidade vivenciada individual e socialmente em todas as localidades, potencializa a experiência turístico-pedagógica em sua realidade com valores e comportamentos que indicam a relação do homem com o meio ambiente, na tentativa de estimular o enriquecimento do turismo justo e igualitário ao lado da educação.
TURISMO PEDAGÓGICO: LA EXCURSIÓN COMO INTEGRADOR DE LA HERRAMIENTA DEL PROCESO DE ENSEÑANZA-APRENDIZAJE
RESUMEN
Este artículo pretende contribuir a una reflexión acerca de las visitas técnicas promovido por los desplazamientos del turismo de tipo ‘excursión’ que deberían formar parte del cotidiano académico, dada su importancia probada em la construcción de los conocimientos derivados de experiencias en una clase extra, llamado viaje de la clase defendida por Freinet. Hemos tratado de reflexionar sobre las contribuciones que la gira proporciona, cuando es bien planeado y dirigido la herramienta se integra el proceso enseñanza-aprendizaje y mostrar la importancia de la gira para la educación de los estudientes, hacendo que el aprendizaje más significativo, que caracterizan la relación entre el tour y las prácticas pedagógicas utilizadas en el aula. A fin de motivar la discusión se planteó fue la búsqueda de la literatura utilizada en el segmento de Turismo Pedagógico, que especifican el viaje de estudios a la realidad práctica, observando el lugar que teóricamente era tratado en el aula convencional. Se encontró que el rendimiento de visitas, es una alternativa importante a los estudiantes observar e interpretar la realidad y no quedarse con el aprendizaje abstracto y almacenados sin la socialización adecuada de dichos contenidos. Se sugiere tener un mejor desempeño em el aula, una amplia planificación y la participación de todas las partes interesadas, a fin de permitir un intercambio de conocimientos e interes que afectan a los objetivos sociales y que se traducen a través de la gira.
Palabras-llave: Turismo. Excursión Pedagógica. Enseñanza y el Aprendizaje.
REFERENCIAL BIBLIOGRAFICO
AGUIAR, Maria de Fátima (Org.). Competência profissional no turismo e compromisso social. São Paulo: Roca, 2006. (coletânea).
ALEXANDRE, Líllian Maria de Mesquita. Projetos interdisciplinares no Curso de Turismo: uma prática possível. Cap. 4. In: BAHL, Miguel (Org.). Competência profissional no turismo e compromisso social. São Paulo: Roca, 2006.
ANSARAH, Marília Gomes dos Reis. Turismo: segmentação de mercado. São Paulo: Futura, 1999.
ANSARAH, Marília Gomes dos Reis. Turismo: como aprender, como ensinar. São Paulo: SENAC, 2001.
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: Senac, 1998.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do o